terça-feira, 5 de junho de 2007

asneira

Enquanto caminhava o dia estava bonito, ensolarado. O sol estava sempre mais forte. De repente, forte demais. Começou a garoar. Ah, que alívio uma garoa em um dia de sol ardente. Mas a garoa virou chuva e a chuva virou toró. Falta pouco pra chegar, só falta atravessar para o outro lado do viaduto. Mas o tráfego é muito intenso, talvez procurar a passarela, mas é muito distante... Não dá tempo, a chuva está forte e os carros espalham a água enlameada ao redor.
Água de chuva, respingos de lama, carros passando, mas não se dá mais nenhum passo antes que se decida entre procurar a passarela ou disparar entre os carros.

terça-feira, 29 de maio de 2007

fastio.

Desde o começo dos quatro dias se espera o dia acabar pra esperar que comece um novo.

Ah... a época em que havia ansiedade para saber como seria o próximo dia até o quinto... Não mais como hoje. A gente cresce e se estagna.
Amanhã eu vou acordar com o telefone tocando. Vai ser minha carona me ligando pra gente ir tomar banho e eu passar na casa dela pra irmos trabalhar. Vou deixá-la na metade da metade do caminho do meu trabalho e vou cantando Mutantes, Marisa Monte ou uma bossa qualquer, no trânsito, até lá. Vou dizer “bom dia!” (como se o novo dia fosse trazer algo novo) quando sair do carro, quando passar pela recepção, quando entrar no meu escritório e quando passar por mim o chefe-pai. Vou ver se o namorado está no msn, responder alguns e-mails, mandar alguns relatórios, pagar as contas, separar os vales-transporte e fechar o caixa. Daí então vou começar a torcer pra não aparecer nenhum ocupado me pedindo operações bancárias infinitas pra eu poder ir pra faculdade, fumar, bater um papinho e dizer repetidamente o quanto eu gostaria de estar dormindo. Então finalmente vou pra casa. Um último telefonema pra dar o boa noite pro amado e esperar na próxima manhã o telefone me despertar.

Ah... havia também a época que o quinto dia, a bela sexta-feira era motivo de farra.
Não mais como hoje. A gente se estressa e fica cansado.
Vou sair pra tomar uma cerveja pra provar a mim mesma que eu não sou a velha que meu corpo insiste em dizer que eu sou. Vou me sentar, dar umas risadas e conversar muito, mas meus olhos estarão lacrimejando e meu corpo dolorido e pesado. É mesmo pra cama me aconchegar com meu namorado que eu vou querer ir. Descansar vai ser só no que eu vou conseguir pensar até que eu o faça.

No fim disso tudo (longe de ser o fim) eu percebo que o remédio pro meu sono infinito, nada mais é do que aprender a escrever até que eu mesma aprecie e queira que todo mundo saia lendo por aí.
Preciso seguir aquilo que reservei pro meu futuro, e não aquilo que reservaram pra mim.

quinta-feira, 10 de maio de 2007

O tempo deveria ser programável de acordo com o desejo. e ponto.

quinta-feira, 26 de abril de 2007

O desejo deveria ser programável de acordo com o tempo disponível.

quarta-feira, 18 de abril de 2007

Infância

prefiro te amar, doçura/ tanto brilho nos olhos que parece existir a iminência de uma lágrima transbordar / sorrisos à toa e risadas de doer/ aquele abraço que dá a volta e quase dá pra fazer laço/ sentir o prazer de ficar só olhando / a vontade que dá de agarrar com toda a força enquanto dorme e a agonia de não poder tocar, que é pra não tira-lo de seus sonhos

terça-feira, 13 de março de 2007

ilustre

suas rimas sem nexo. seus poemas circunflexos. seus desejos agudos por minhas frases confusas. meus sorrisos sinceros por seus elegantes versos. e por sua cartola farta de sutis brilhos e reflexos. os nossos caminhos cincunflexos. por essa vida sem nexo.